quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Cartas a um jovem poeta

Segue abaixo a parte final de um conselho para alguém que quer saber se realmente tem vocação para fazer aquilo que faz. Neste poema o jovem perguntava se realmente ele era um poeta. Como saber!?


"Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou. "

Rainer Maria Rilke
Paris, 17 de fevereiro de 1903

domingo, 4 de novembro de 2007

LIXO: PERIGO PARA O MEIO AMBIENTE


RESÍDUOS SÓLIDOS
Lixo, resíduos, sobras, não são problemas atuais como muitas pessoas podem pensar, como diz FIGUEREIDO (1994), em seu livro a Sociedade do Lixo, “está é uma questão que acompanha a sociedade desde o aparecimento do homem. Quando o homem vivia em condições primitivas tirando da terra apenas o essencial a sua sobrevivência, percebia-se uma relação de extremo equilíbrio entre homem e natureza”.
Porém, com o passar do tempo, está relação foi se modificando, o homem civilizou-se, passando a explorar o meio ambiente para garantir seu conforto, resultando com isso no aumento da geração de lixo, assim o meio ambiente passou a não dar mais conta do quantitativo gerado.
Com a Revolução Industrial a partir do século XX a situação piorou ainda mais, pois a população passou a utilizar cada vez mais produtos industrializados, para se ter uma idéia, as crianças que há um tempo atrás utilizavam fraldas de pano, hoje utilizam fraldas descartáveis, o leite que era entregue pelo leiteiro em garrafas de vidro reutilizáveis, hoje é comprado em qualquer padaria, mercado, mercearia em embalagens plásticas ou em caixa tetrapak.
No entanto, a forma de descarte do lixo não mudou, continuou a se realizar de forma primitiva, uma vez que, são descartados em qualquer terreno baldio, estradas, rios, praias e etc., sem nenhum tratamento, gerando assim vários problemas ao meio ambiente e principalmente para a saúde pública.
Os resíduos sólidos constituem um problema que precisa de soluções imediatas, segundo COLAVITTI (2003), “o volume de lixo produzido no mundo aumentou três vezes mais do que a população nos últimos 30 anos, graças à proliferação de embalagens descartáveis e a cultura de consumo, e o grande problema é que falta espaço para armazenar esta montanha de lixo”.
É preciso que a população tome consciência do problema que o lixo trás para a sociedade e ao meio ambiente, e preocupados com os malefícios que um descarte inadequado pode trazer, pense nos resíduos não como coisa indesejável, mas como algo que pode ter utilidade, se descartado de modo adequado, uma vez que, o lixo pode ser reciclado gerando assim lucratividade econômica e ambiental.